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Hospital Municipal M’Boi Mirim conquista reconhecimento internacional pelo cuidado à pessoa idosa

É a primeira unidade pública de saúde do Brasil a alcançar o nível 2 da iniciativa Age-Friendly Health Systems, que reúne mais de 5,5 mil organizações em diferentes países

11.08.2026

Foto do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch – M’Boi Mirim
Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch – M’Boi Mirim

O Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch – M’Boi Mirim, unidade da Prefeitura de São Paulo administrada pelo Einstein Hospital Israelita, tornou-se o primeiro hospital público municipal do Brasil a alcançar o nível 2 de reconhecimento da iniciativa internacional Age-Friendly Health Systems, liderada pelo Institute for Healthcare Improvement (IHI), em parceria com a The John A. Hartford Foundation. A iniciativa reconhece instituições que adotam práticas estruturadas para qualificar o cuidado à pessoa idosa.

Para alcançar esse nível, é necessário comprovar a aplicação consistente de práticas de cuidado na rotina assistencial por, pelo menos, três meses. Isso inclui a consideração das preferências e prioridades da pessoa idosa no plano de cuidado, o uso seguro de medicamentos, a prevenção e identificação precoce de alterações cognitivas e a promoção da mobilidade.

O reconhecimento é baseado na metodologia dos 4Ms, modelo que organiza o cuidado à pessoa idosa em quatro dimensões: O que importa: alinhamento da assistência às prioridades, valores e objetivos de vida da pessoa idosa; Medicação: uso seguro e apropriado de medicamentos, com redução de riscos e iatrogenias; Cognição e saúde mental: prevenção, identificação e manejo de alterações cognitivas, delirium, demência e sintomas depressivos; e Mobilidade: estímulo à movimentação segura, preservação da capacidade funcional e prevenção da perda de autonomia.

Para integrar a iniciativa, o M’Boi Mirim estruturou um grupo de trabalho multiprofissional dedicado ao cuidado da pessoa idosa e implementou ações voltadas à qualificação da jornada assistencial. Entre as medidas estão rodas de conversa com representantes do Conselho Consultivo de Pacientes e Familiares para compreender a experiência das pessoas idosas na unidade; atualização de protocolos assistenciais e de Enfermagem; e avaliação contínua do atendimento, de acordo com a metodologia dos 4Ms.

Enfermagem tem papel estratégico no cuidado à pessoa idosa
O reconhecimento evidencia também a importância da Enfermagem na implementação de práticas centradas na pessoa idosa. Presente de forma contínua nos diferentes pontos da Rede de Atenção à Saúde, a categoria não se limita ao tratamento da doença. Ela atua na prevenção de agravos, na preservação da funcionalidade, na identificação precoce de riscos, estimulando a autonomia e apoiando a pessoa idosa e sua família para que o envelhecimento aconteça com dignidade e qualidade de vida.

“É fundamental superar o modelo de cuidado centrado apenas na doença e avançar para uma abordagem integral, que reconheça a pessoa idosa em todas as suas dimensões, valorize sua autonomia e preserve sua dignidade”, afirma a Dra. Betânia Santos, Coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Atenção à Saúde do Adolescente, Adulto e Pessoa Idosa do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Segundo Betânia, os quatro pilares do modelo Age-Friendly oferecem uma referência importante para transformar essa perspectiva em práticas assistenciais. “Além dos 4Ms, é fundamental incorporar à rotina a avaliação multidimensional da pessoa idosa, a prevenção de quedas e lesões por pressão, o manejo adequado da dor, a avaliação nutricional, a identificação de situações de violência e negligência, o estímulo à autonomia e a participação da família e da rede de apoio”.

“O Cofen tem reforçado a importância de um cuidado humanizado, inclusivo e centrado na pessoa, considerando as dimensões biopsicossociais do envelhecimento. Por isso, quando falamos em envelhecimento saudável, precisamos falar também em Enfermagem qualificada, baseada em evidências e preparada para reconhecer a singularidade de cada pessoa idosa”, enfatizou.

Protocolos devem acompanhar o envelhecimento da população
Para Betânia, a atualização dos protocolos assistenciais e de Enfermagem é outro aspecto relevante para qualificar o atendimento. “Com o envelhecimento da população brasileira, os serviços de saúde precisam considerar as características clínicas, funcionais e sociais específicas desse público. Não se pode pensar em cuidar hoje da pessoa idosa utilizando protocolos pensados para uma população predominantemente adulta e sem considerar as especificidades do envelhecimento. Por isso, atualizar protocolos significa incorporar aspectos como avaliação funcional e cognitiva, risco de quedas, polifarmácia, comunicação, nutrição, prevenção de delirium, mobilidade, segurança do paciente e identificação de violência”, explica.

“Cuidar da pessoa idosa é muito mais do que tratar doenças: é reconhecer sua história, suas escolhas, sua autonomia e aquilo que realmente importa para sua vida. E a Enfermagem tem um papel fundamental para transformar esse princípio em cuidado concreto, seguro, humanizado e baseado em evidências”, ressaltou.

Para a diretora do Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch – M’Boi Mirim, Renata Janeri, o reconhecimento reafirma o compromisso da instituição com um modelo de cuidado centrado na pessoa. “Ao integrar o movimento global, o hospital reforça o potencial do Sistema Único de Saúde (SUS) para desenvolver e implementar modelos personalizados e efetivos de cuidado, ampliando a qualidade e a segurança da atenção à pessoa idosa”, afirma.

No Brasil, apenas dois hospitais possuem atualmente o nível 2 de reconhecimento: o M’Boi Mirim e o Einstein. A experiência evidencia o potencial da colaboração entre os setores público e privado para a disseminação de boas práticas assistenciais e o fortalecimento da qualidade da assistência em diferentes serviços e regiões do país.

“Mais do que um reconhecimento, a iniciativa reforça a necessidade de que práticas centradas na pessoa idosa sejam incorporadas de forma permanente aos serviços de saúde. O desafio é ampliar o conhecimento e a aplicação de modelos como os 4Ms, respeitando as características e necessidades de cada serviço. Dessa forma, o cuidado à pessoa idosa pode contribuir não apenas para o aumento da expectativa de vida, mas também para que as pessoas envelheçam com mais autonomia, funcionalidade, segurança e dignidade.”, concluiu Betânia.

Fonte: Ascom/Cofen - Roberta Santos

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