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Brasil reduz em 80% o número de crianças sem nenhuma dose da vacina

Cobertura vacinal infantil global avança lentamente, apesar dos conflitos e da hesitação vacinal, indica Unicef/OMS. Brasil foi um dos destaque da recuperação

16.07.2026

bebê recebe vacina
Para uma criança ser considerada imunizada, ela precisa tomar todas as doses recomendadas

O Brasil reduziu de 255 mil para 50 mil o número de crianças sem nenhuma dose de vacina entre 2024 e 2025. O dado integra estimativa do OMS-UNICEF de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC), divulgada nesta terça-feira (15). O relatório aponta o Brasil como um dos destaques na recuperação da cobertura vacinal.

“É uma conquista importante para a saúde pública brasileira e reforça o impacto do trabalho desenvolvido diariamente pelas equipes de Enfermagem em todo o país. A redução de 80% no número de crianças sem nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida demonstra que o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI), aliado ao compromisso dos profissionais de saúde, produz resultados concretos na proteção da infância”, afirma a coordenadora da coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança (CTESNC/Cofen), Ivone Amazonas.

São cerca de 38 mil salas de vacinação, distribuídas em todo o território nacional, quase todas coordenadas por enfermeiros. “É o enfermeiro, juntamente com sua equipe, quem organiza as salas de vacinação, garante a qualidade e a segurança dos imunobiológicos, realiza a avaliação da situação vacinal, orienta as famílias, combate a desinformação e promove a busca ativa das crianças que ainda não completaram o calendário de vacinação”, explica Ivone.

Vacinação incompleta ainda traz riscos

Os resultados trazem razões para comemorar, mas também evidenciam desafios importantes, ressalta a coordenadora da CTESNC/Cofen. “Não basta iniciar o esquema vacinal; é fundamental garantir que todas as crianças recebam todas as doses e os reforços previstos. A interrupção do calendário vacinal mantém crianças suscetíveis a doenças imunopreveníveis, como o sarampo, que continua representando uma ameaça mundial”, pondera.

Para uma criança ser considerada imunizada, ela precisa tomar todas as doses recomendadas de cada imunizante, inclusive as doses de reforço, quando indicadas. “Vacinar é um ato de cuidado, de responsabilidade coletiva e de compromisso com o futuro. Cada dose aplicada representa uma oportunidade de prevenir doenças, reduzir internações, salvar vidas e garantir que nossas crianças cresçam com mais saúde, segurança e qualidade de vida”, afirma.

O relatório global usa como base a tríplice bacteriana (DTP), com três doses. No Brasil, a DTP é oferecida como “pentavalente”, protegendo também contra hepatite B e contra haemophilus influenza tipo b. A vacina é amplamente estudada e tem segurança comprovada, conforme reafirmando recentemente validados pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidoscomitê da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre vacinas. Reações graves são raríssimas; os efeitos adversos mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção, podendo ocorrer febre e perda de apetite.

Cenário global

criança com sarampo
Criança com sarampo. Doença ainda é uma causa importante de mortalidade infantil no mundo, apesar de existir vacina segura e eficaz

No mundo, 13,5 milhões de crianças continuaram sem receber qualquer vacina no primeiro ano de vida em 2025. O número caiu cerca de 750 mil em relação a 2024, mas segue acima da meta internacional. Conflitos, crises humanitárias e desigualdades dificultam o acesso à imunização em diversos países.

“Governos e profissionais de saúde ajudaram as taxas globais de vacinação a se recuperarem após a forte queda observada durante a pandemia de COVID-19”, afirmou Catherine Russell, Diretora-Executiva do UNICEF. “Mas milhões de crianças vulneráveis continuam desprotegidas devido a conflitos, deslocamentos forçados e pobreza. Precisamos alcançar cada criança e reconstruir a confiança onde ela está se enfraquecendo. Nenhuma criança deveria sofrer de uma doença que uma simples vacina pode prevenir.”

O relatório mostra que 89% das crianças no mundo receberam pelo menos uma dose da vacina DTP, utilizada como referência de cobertura. Já 85% completaram o esquema com as três doses. Estima-se que 7,3 milhões de bebês tenham recebido a primeira dose da DTP, mas abandonado o calendário vacinal antes de receber a primeira dose da vacina contra o sarampo. 

A cobertura contra o sarampo segue crítica. Em 2025, 84% das crianças receberam a primeira dose e 76% a segunda. O índice é inferior aos 95% recomendados para gerar o efeito de bloqueio das transmissões, conhecido como imunidade de rebanho, e prevenir surtos. No ano passado, 60 países registraram epidemias de sarampo, segundo dados do Unifce-OMS.

O Brasil recuperou em 2024 o certificado de zona livre de sarampo, mas alta global exige vigilância permanente. A certificação já havia conquistada em 2016, graças  às vacinas do PNI, mas a doença ressurgiu em 2019, diante da queda da cobertura incentivada pelo movimento antivacinação. 

 

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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